Compositor: Davis, Rafael Gonçalves, Marcelinho Santos, Junior Fionda, Junior Falcão, Antonio Neto, Geraldo M. Felicio, Rogério Máximo, Camila Lucio, Gilsinho da Vila, Soares do Cavaco, Verônica dos Tambores, Flavinho Avelar
Sou eu teu canibal e remetente
Nessa carta incoerente
Vim lembrar do que passou
Aporto nesse mar de atrocidade
Pindorama insanidade
Que desvenda o Invasor
A tinta da história que insistiu me decifrar
Um bicho de arco e flecha a devorar
Os livros, ao contar que fui escravo do passado
Um filho de Tupã catequizado
Tomaram terra e me forçaram misturar
A pele preta, a coroa, o cocar
Deixa o chão tremer, ê, ê, ô
Que mata a dentro a cobiça reluziu
Qual é meu nome, ora pois
A força, o sangue de nós dois
Debaixo de pau, Brasil
Ao ler que minha fome de saber se alimenta
Degusta o verbo, te supera e reinventa
Devo sentir que a transgressão te causa dor
Se me criou, sabia um dia quais seriam os meandros
Teu Deus de pedra não põe medo em meus malandros
E teu sagrado insiste em vilipendiar
Vixe Maria Cabra da peste arretada é Betinha
A devoção da minha gente encarnada
A eterna fome de prazer me consumiu
Se festejar é minha sina
A Vera Cruz quem te assina
E te entregue a tua pátria que pariu
Se a canoa não virar, olê olá
Meu recado vira samba e carnaval
Chega ao destinatário
O meu grito libertário
Vigário Geral